Verão de 21

Para Marguerite

te encontro na praia

no meio-de-qualquer-coisa

nosso sempre encontro

na cidade sem tempo

lugar do mar

você com seu martini

(é sempre verão tem

sempre martini

e sempre silêncio)

tento atravessar a

areia, mas o vento

e a chuva arrastam

meu corpo para longe

gaivota que

luta para voar num filme

rodado de trás para frente

no lugar do mar

ninguém fala com você

a máquina de escrever

verão e sol-chuva

(cinzalaranjaamarelo)

no pulmão

é o vietnã e miramar

e é o rio sem

mar nesse subúrbio

infinito

quero te dizer (tão longo)

não beba

ninguém diz

já desistiram de

impedir o martini

e a água de colônia

o vento-sal não me permite

dizer

não beba

estamos sozinhas e

sabemos, cada uma

de sua ponta da praia

olhamos o mesmo álbum

de fotografias

de gestos interrompidos

a máquina tecla

todo dia a máquina

e todo dia o martini

sem tempo

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