Como, pai, nasce um poeta?

Como, pai, nasce um poeta? Meu pai foi quem primeiro me ensinou a amar a poesia e a ter os poetas ao redor dos ouvidos. Queria infinitas as histórias murmuradas na boca da infância (escrevi antes de escrever). Achava tão sábios os poetas, como podiam de palavras pequeninas lavrar sentimentos grandes. Mas eu me rebeleiContinuar lendo “Como, pai, nasce um poeta?”

Por que eu escrevo?

Eu evitei essa pergunta muitas vezes, porque sabia que, para respondê-la, eu teria de retornar ao âmago da infância. Eu sempre li muito. Minha história é também a história dos livros que li: não consigo me lembrar de mim sem um livro na mão. Dentro da infância também houve o silêncio. Um silêncio enorme. AosContinuar lendo “Por que eu escrevo?”

Minha amiga B.

B. era minha melhor amiga. Eu não me lembro do seu rosto. Mas, eu me lembro de seu cabelo crespo trançado, da textura de suas mãos e de como ela parecia pequenina em sua cadeira de rodas. Ela me disse que era paraplégica porque uma tartaruga tinha mordido seu pé na praia. Eu não sabiaContinuar lendo “Minha amiga B.”