Segunda-feira é apenas um nome, por Luizza Milczanowski

Publicado originalmente em Oribê:
Luizza Milczanowski nasceu em 23 de janeiro de 1998, no Rio de Janeiro, onde é graduanda em Direito. Leitora voraz, começou a criar histórias antes mesmo de aprender a escrever, encontrando na Literatura sua forma de estar e agir no mundo. Escreve poesia e prosa, colaborando com diferentes revistas literárias como…

Casulo

Mais um poeta morto, Laura. Mais um corpo suspenso. As palavras interrompidas na traqueia. Um tiro na cabeça, foi assim. Vazio, vazio. Morrer é tão simples. Morrer é tão fácil. Existir é tentar andar com grilhões de cem quilos nos pés. Existir é tão duro. Me encolho como crisálida nos lençóis, pronta para me tornarContinuar lendo “Casulo”

Por que eu escrevo?

Eu evitei essa pergunta muitas vezes, porque sabia que, para respondê-la, eu teria de retornar ao âmago da infância. Eu sempre li muito. Minha história é também a história dos livros que li: não consigo me lembrar de mim sem um livro na mão. Dentro da infância também houve o silêncio. Um silêncio enorme. AosContinuar lendo “Por que eu escrevo?”

Minha amiga B.

B. era minha melhor amiga. Eu não me lembro do seu rosto. Mas, eu me lembro de seu cabelo crespo trançado, da textura de suas mãos e de como ela parecia pequenina em sua cadeira de rodas. Ela me disse que era paraplégica porque uma tartaruga tinha mordido seu pé na praia. Eu não sabiaContinuar lendo “Minha amiga B.”

Não escrever seria morrer

Anna Tsvell. Thirst. 2020. Minhas anotações entremeiam meus pensamentos para o mundo. Eu queria que meus pensamentos fossem a tinta que escorre da caneta para o papel, mas não são. O pensamento é qualquer coisa possível só dentro de mim. Eu amo esta palavra: impossível. Eu moro perto da estação de trem e a formaContinuar lendo “Não escrever seria morrer”

OS QUEBRA-CABEÇAS DE VLADIMIR NABOKOV: Por que as referências em Lolita importam?

Recentemente foram veiculadas notícias sobre um caso real que supostamente teria inspirado Nabokov a escrever Lolita: o sequestro da jovem Florence Sally Horner, em 1948. Citada explicitamente uma única vez ao longo do romance, Sally teria mesmo sido a grande inspiração do autor? “I just like composing riddles with elegant solutions” disse Vladimir Nabokov em umaContinuar lendo “OS QUEBRA-CABEÇAS DE VLADIMIR NABOKOV: Por que as referências em Lolita importam?”

MIRAMAR

Publicado originalmente no Medium Eu estou sentada na beira de uma praia fria e vazia. O vento agita os mares ou os mares se agitam com a chuva. É uma praia sem tempo. É o lugar do mar. O lugar sem Tempo no vazio branco do mar. O vazio branco do mar e o cinzaContinuar lendo “MIRAMAR”

MIRAMAR: O álcool no lugar de Deus

Publicado originalmente no Medium Cidade vazia do mar cinza Do céu cinza cidade vazia Miramar Miramar cidade sem tempo Cidade do mar Cidade sem tempo onde Marguerite — mar Toma mais um gole da sua bebida a mar ga Amor ferido O álcool no lugar de Deus Miramar e sua areia de pedras cinzas DoContinuar lendo “MIRAMAR: O álcool no lugar de Deus”